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title: "Ao IF, com carinho"
description: "Uma carta de gratidão ao IFSULDEMINAS — Campus Muzambinho. Técnico em Informática, turma 2010–2012."
author: "Anderson Henrique"
date: "2026-04-02T11:00:00Z"
updated: "2026-04-28T23:49:58.846834Z"
category: "philosophy"
tags: ["ifsuldeminas","muzambinho","educacao","instituto-federal","tarsila-do-amaral","sul-de-minas"]
canonical: "https://www.ntlabs.dev/blog/ao-if-com-carinho"
locale: "pt"
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# Ao IF, com carinho

*À Profa. Dra. Aracele Garcia de Oliveira Fassbinder, orientadora, coautora, e a primeira pessoa que tratou minha pesquisa como pesquisa de verdade. O que está nestas páginas também é seu.*

Em 2010, um garoto de quinze anos de Muzambinho passou no processo seletivo do Instituto Federal. Não sabia programar. Não sabia o que era algoritmo, variável, loop. Não sabia quase nada. Mas sabia que queria aprender, e que aquele campus era a única estrutura disponível para isso.

Esse garoto era eu. Escrevo este texto dezesseis anos depois, e quero que fique registrado: nada do que vim a construir existiria sem o IF. Não como figura de linguagem. Como fato.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/igreja-muzambinho-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/igreja-muzambinho-1.webp" data-alt="Igreja Matriz de Muzambinho ao crepúsculo" data-caption="Muzambinho, MG" data-caption-sub="Serra da Mantiqueira ao entardecer"></div>

Muzambinho fica a 370km de São Paulo. Não aparece em ranking de inovação nem em mapa de ecossistemas de startup. É uma cidade de montanhas, café e céu que muda de cor três vezes antes do sol se pôr. Quando a tempestade passa e o arco-íris abre sobre os telhados, você entende por que quem é de lá nunca esquece.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/tempestade-arcoiris-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/tempestade-arcoiris-1.webp" data-alt="Tempestade com arco-íris sobre Muzambinho" data-caption="Muzambinho, MG" data-caption-sub="Depois da tempestade, o arco-íris"></div>

O campus tem história que antecede muito a mim. Foi Escola de Iniciação Agrícola, foi Escola Agrotécnica, virou Instituto Federal. Há uma foto da inauguração, décadas atrás: homens de terno cortando fita, uma multidão atrás, o céu aberto sobre o sul de Minas. Ali estavam Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves. Três homens que moldaram o Brasil moderno, reunidos em Muzambinho para assinar os documentos que dariam vida a uma escola pública no interior.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/inauguracao-historica-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/inauguracao-historica-1.webp" data-alt="Inauguração histórica do IFSULDEMINAS nos anos 1950" data-caption="Inauguração da Escola Agrotécnica" data-caption-sub="Década de 1950 — o início de tudo"></div>

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/vargas-jk-tancredo-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/vargas-jk-tancredo-1.webp" data-alt="Getúlio Vargas, JK e Tancredo Neves no IFSULDEMINAS" data-caption="Presidentes e futuros presidentes" data-caption-sub="Getúlio Vargas, JK, Tancredo Neves e ministros"></div>

Não era cerimônia vazia. Era aposta.

O Bloco Pedagógico H, construído em 1965, tem um pátio interno com uma fileira de arcos. A foto da época mostra o espaço quase vazio: terra batida, algumas árvores novas, figuras pequenas ao fundo. Sessenta anos depois, aquele mesmo pátio continua lá, com os mesmos arcos. Só o tempo mudou de lado.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/bloco-pedagogico-1965-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/bloco-pedagogico-1965-1.webp" data-alt="Bloco Pedagógico H em 1965 — pátio interno" data-caption="Bloco Pedagógico H, 1965" data-caption-sub="Os arcos que acolheram gerações"></div>

Quando eu passava por ali de manhã cedo, com a mochila nas costas e sono nos olhos, não pensava em história. Pensava em não chegar atrasado. Mas o campus te ensina coisas sem avisar: que estrutura dura, que cuidado acumula, que o que foi construído com seriedade não precisa se explicar.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/campus-palmeiras-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/campus-palmeiras-1.webp" data-alt="Campus do IFSULDEMINAS com palmeiras imperiais" data-caption="Campus Muzambinho" data-caption-sub="Palmeiras imperiais na entrada principal"></div>

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/campus-arcos-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/campus-arcos-1.webp" data-alt="Prédio do IFSULDEMINAS com arcos" data-caption="Campus Muzambinho" data-caption-sub="Arquitetura colonial e o totem do Instituto Federal"></div>

A usina hidrelétrica no fundo do campus, água correndo sobre pedra exposta, barragem no topo, é o detalhe que ninguém espera encontrar. Natureza virando energia dentro de uma escola. O campus tem sua própria usina. Isso diz algo sobre o que ele é.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/usina-hidreletrica-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/usina-hidreletrica-1.webp" data-alt="Usina hidrelétrica do IFSULDEMINAS" data-caption="Usina hidrelétrica" data-caption-sub="Natureza e engenharia no campus"></div>

Fiz o técnico em Informática entre 2010 e 2012. Aprendi Pascal numa sala com cheiro de borracha e ar condicionado antigo. O primeiro programa que funcionou pareceu a coisa mais poderosa do universo.

Mas o IF me ensinou muito mais que programação. Foram as aulas de português que me ensinaram a pensar antes de escrever. As de filosofia que me fizeram questionar tudo, inclusive a mim mesmo. Os professores que paravam depois da aula para explicar de novo, com paciência, porque acreditavam que nenhum aluno era burro, só precisava de mais tempo.

Saí diferente de como entrei. Isso é o mínimo que uma boa escola pode fazer, e o máximo que muitas conseguem.

<div data-image-reveal data-painting="/images/blog/ao-if-com-carinho/campus-entrada-2.webp" data-real="/images/blog/ao-if-com-carinho/campus-entrada-1.webp" data-alt="Entrada do IFSULDEMINAS Campus Muzambinho" data-caption="IFSULDEMINAS" data-caption-sub="Instituto Federal do Sul de Minas Gerais"></div>

Do técnico fui para a Filosofia. Heidegger, Foucault, Habermas. Pode parecer desvio, de informática para filosofia, mas não foi. O IF me ensinou a pensar, e a filosofia me ensinou a pensar sobre o pensar. Voltei para Muzambinho. E em 2022 fiz o que não estava nos planos: voltei para o IF, desta vez para cursar Ciência da Computação. O mesmo campus, os mesmos corredores, os mesmos arcos. Com olhos completamente diferentes.

Foi bonito voltar. E foi na segunda passagem que encontrei a Profa. Dra. Aracele Garcia de Oliveira Fassbinder.

Doutora pela USP, professora e hoje diretora no campus. Me ensinou quando eu tinha quinze anos. Me orientou quando voltei aos trinta. Coassinou dois artigos comigo. A parceria começou na sala de aula e não parou.

Porque tudo começou ali. Em Muzambinho. No IF.

> As imagens deste post são releituras artísticas criadas a partir de fotografias reais do campus e da cidade. Passe o mouse (ou role no celular) para ver as fotos originais.

_Ao IFSULDEMINAS, Campus Muzambinho, com carinho e gratidão. De um ex-aluno que não esquece de onde veio._
